Inclusão Digital é motor da transformação urbana


A inclusão digital como instrumento essencial para o desenvolvimento de cidades inteligentes foi o tema central de um dos painéis do Smart Cities Mundi 2025, evento sobre cidades digitais promovido pela Tele.Síntese, realizado hoje, 28. Com a presença de gestores públicos, representantes do governo federal, especialistas em tecnologia e legisladores, o painel abordou os desafios, avanços e perspectivas na construção de cidades conectadas, eficientes e inclusivas.
O ponto de partida veio com Yuri Giustina, diretor de adaptações das cidades à transição climática e transformação Digital, do Ministério das Cidades, que enfatizou: “recebemos em 2023 o desafio de avançar em políticas de cidades inteligentes e de inclusão digital. Mais de 85% da população brasileira vive em áreas urbanas e, para elas, é que estamos trabalhando.”
Segundo ele, o governo federal tem atuado em quatro frentes principais: legislação (um projeto de lei sobre cidades inteligentes está em tramitação e já possui relator nomeado); iluminação pública como porta de entrada para cidades inteligentes (hoje, mais de 20 milhões de pontos ainda precisam ser modernizados no país); financiamento (o FGTS já dispõe de mais de R$ 1,6 bilhão para projetos urbanos, mas a busca por novas fontes – como debêntures incentivadas e o setor privado); e parcerias público privadas (uma nova orientação sobre PPPs será lançada em junho, com foco na criação de estratégias municipais de inclusão digital).
“O caminho passa por estratégias locais. Não há cidade inteligente sem participação cidadã e sem internet acessível para todos”, completou.
Janete Aparecida, vice-prefeita de Divinópolis (MG), destacou a dura realidade enfrentada pelos pequenos e médios municípios brasileiros. “Com orçamentos estrangulados, a tecnologia ficou à margem. Mas entendemos que cidade inteligente é ensinar o cidadão a usar tecnologia.”
Com cerca de 250 mil habitantes, Divinópolis tem investido em soluções digitais como câmeras de monitoramento para controle de frequência escolar, digitalização de documentos e envio de IPTU via celular, entre outros. Mais de 100 iniciativas foram implantadas, com atenção especial aos idosos. “Estamos ensinando nossos idosos a usar aplicativos. Não adianta oferecer tecnologia se o cidadão não sabe acessar”.
O deputado estadual Alexandre Knoploch (PL-RJ) concordou com as colocações de Janete e lembrou que as pessoas vivem nos municípios que, muitas vezes, dependem de recursos e diretrizes da União. “As cidades não podem ser reféns de Brasília. Investimos mais de R$ 1,6 bilhão em transformação digital no Rio de Janeiro desde a pandemia.”
Knoploch também apresentou o Projeto de Lei 4669, que cria um fundo estadual de inteligência artificial, com recursos oriundos do fundo soberano do Rio, e voltado ao desenvolvimento de tecnologias aplicáveis no estado. “O objetivo é criar um mecanismo permanente de apoio financeiro à inovação, por meio de um fundo abastecido com recursos do Fundo Soberano do Estado do Rio de Janeiro”.
O diferencial do projeto, de acordo com Knoploch, é condicionar o uso dos recursos a empresas e iniciativas que desenvolvam soluções de IA com aplicação direta no estado. Dessa forma, o projeto não apenas estimula a inovação, mas também assegura que os benefícios do investimento público sejam percebidos localmente, fortalecendo a economia.
À frente da Prodam-SP, Francisco Forbes mostrou como a cidade de São Paulo – com mais de 20 milhões de pessoas conectadas em horário comercial – trata a tecnologia como protagonista da gestão pública. “Não basta ter dados, é preciso tomar decisões com base neles. Hoje temos dashboards em todas as secretarias e já usamos IA para filtrar e antecipar serviços.”
Entre os exemplos práticos, Forbes destacou o envio automático de bilhete único para idosos via WhatsApp, a cobertura de 99,9% do 5G na região metropolitana e o programa Smart Sampa, com mais de 25 mil câmeras que já resultaram na captura de 2.500 foragidos sem necessidade de confronto.
Outra novidade anunciada por Forbes foi a criação de um marketplace de soluções públicas, que será disponibilizado a prefeituras de todo o país a partir do segundo semestre. “Tudo que desenvolvemos aqui será empacotado e compartilhado. Vamos oferecer isso como um serviço; a cidades não precisam começar do zero.”
Encerrando o painel, João Bezerra, conselheiro da Surf Telecom, resumiu o espírito do encontro: “digitalizar processos antigos não é transformação digital. O que importa é o cidadão estar conectado. Ele deve ser o centro das atenções.”
Bezerra defendeu modelos alternativos de conectividade, voltados para populações vulneráveis e afastados das grandes operadoras, reafirmando que inclusão digital é, antes de tudo, inclusão social.
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